REIS E SANTOS, por Natalie Guimarães

Longe da arrebentação da maré e da areia quente nas praias de Santos (SP), escondido em alguma sala de redação, o jornalista Sérgio Willians dos Reis está sentado em frente ao computador, com uma distinta pilha de livros históricos sobre a mesa, trabalhando com afinco. A tela sobe rápido, o mouse desliza pelas janelas, seus dedos não param de teclar e seus olhos ora viajam para os livros, ora voam para o brilho da tecnologia.

Ele acredita ser o maior e mais apaixonado cidadão da atualidade. Uma paixão latente por sua cidade natal, seu berço litorâneo: Santos. Uma terra cheia de história, vegetação, futebol, mares, embarcações, casarões, jardins e paisagens que se impregnam na memória.

— Paixão não tem fórmula, não tem data, não tem o porquê. Simplesmente acontece. – É o que Reis diz, quando tenta explicar seu amor.

A tal da paixão é algo que, normalmente, se conhece pela primeira vez na adolescência. Aliás, é o que naturalmente acontece com todo mundo. E quando foi a vez do Sérgio, não foi diferente. Talvez, quem sabe, tenha sido um pouquinho, hum… peculiar. Aconteceu quando ele estava fazendo um de seus passeios de bicicleta pela cidade. Enquanto pedalava pelas ruas e seus olhos vagueavam de uma paisagem para outra, acabou sendo fisgado. Se apaixonou, não por uma garota – o que aconteceu também, só que num momento adiante de sua vida, mas pelas orlas de praias, a arquitetura dos prédios, os relevos de cada morro santista e, principalmente, as antigas histórias que formaram aquela metrópole.

O jovem rapaz caiu de amores pelo passado que construiu Santos ao longo dos anos. Provavelmente, os mapas que costumava colecionar quando criança o influenciaram até nesse ponto. É bem verdade que ele também sempre gostou das aulas de história e geografia… Pois bem, é como dizem por aí: “Cada louco com a sua mania”. E Santos é a mania louca que vive no coração e na mente de Sérgio Willians dos Reis.

Ele sempre foi loucamente apaixonado por sua cidade, assim como pela literatura. Quando ainda era pequeno, costumava ler muitos gibis e também os livros da coleção Vaga-lume, oferecidos pela Editora Ática, leitura praticamente obrigatória nas escolas na década de 1970, como os livros A ilha perdida e O Escaravelho do Diabo. O garoto era danado. Aos 12 anos de idade, já começava a escrever por conta própria! Não precisava de professores ditando ou mandando escrever uma redação de, no mínimo, vinte linhas. Tanto apreço pelas palavras acabou direcionando o menino para uma profissão que nunca deixasse de usá-las.

Logo, lá estava Reis ingressando em Jornalismo na Universidade Católica de Santos. A cada dia, se aprofundava um pouquinho mais nos assuntos e nos temas estudados, firmava relações a longo prazo e conquistava seu espaço no ambiente acadêmico e profissional. Agora, aos 48 anos de idade, vem investindo em suas pesquisas e textos históricos para plataformas on-line, além de estar planejando o quarto livro a ser lançado. Afinal, já faz cinco anos desde seu último romance histórico, Jacinto, o Sansão do cais santista.

A primeira obra que produziu não saiu exatamente como ele tinha imaginado desde o início. Sérgio já havia se decidido. Era hora de escrever um livro. O tema, logicamente, seria Santos. Ele escreveria sobre as estradas da cidade, na verdade, todas as estradas de terra que se encontravam na Serra do Mar, entre São Paulo e Santos. Ele passava horas pesquisando sobre o assunto. Escreveria todos os fatos desde a colonização até os dias de hoje, utilizando o conhecimento jornalístico que tinha. Tudo estaria relatado ali, tim-tim por tim-tim, sem pôr e nem tirar. Até que encontrou Antonio Prado Júnior. Esse rapaz bagunçou todo o trabalho de Sérgio.

Antonio foi um jovem que, juntamente com seus amigos, em 1908, decidiu desbravar as estradas com um automóvel, realizando a primeira viagem dentro de um veículo automotor entre as duas cidades. Assim, o jornalista se viu totalmente absorto na história desse rapaz. E, por conta disso, mudou o projeto. Não seria mais um livro jornalístico documentando os fatos, mas um romance histórico baseado nesses fatos. Quando terminou, em 2008, tinha em mãos o Pelas curvas das estradas de Santos, que, aliás, apoiado pela lei Rouanet, no dia do lançamento, fez uma homenagem à Estrada Velha de Santos ao trazer 100 carros antigos da Capital até a cidade pelo mesmo caminho descrito no livro.

Os outros livros, como podem imaginar, também falam a respeito de Santos e vieram não muito tempo depois. Para Sérgio, acabou sendo mais fácil de compartilhar esse tipo de informação com as pessoas, já que ele se diverte pesquisando e descobrindo coisas do passado e aprendeu as técnicas de como o fazer interessante e belo. Quando Reis escreve, é como se ele pudesse encontrar um meio específico de atingir almas inquietas como a dele, expressando toda sua capacidade criativa e visão subliminar do mundo e da história que o contém. Ele busca instigar nos leitores chances para refletir em quem são, no passado de seus entes e no que os rodeia. É instintivo, e a mensagem de todos serem sonhadores e donos de grandes desejos internos acaba sendo transmitida naturalmente nos personagens que construiu em cada um de seus livros.

— Cada vez em que mergulho numa pesquisa para produzir uma obra literária, minha mente se expande para universos inexplorados e empolgantes – explica Sérgio. Por isso, ele já tem dois projetos prontos na cabeça, só esperando pela hora certa de sair. E é nessa parte que o jornalista se enrola. São tantas outras atividades para cumprir que ele não está encontrando tempo para se sentar e pôr as ideias no papel. Afinal, Reis é um jornalista e, como todo profissional da área, são muitas as atividades que precisa cumprir. Independentemente disso, ele mal pode esperar para começar. Mesmo que essa seja a pior parte: começar. Mas tudo bem, Sérgio elaborou uma estratégia de criação que, até agora, tem dado certo.

Como as ficções que escreve têm por pano de fundo um contexto histórico real, ele cria – após horas ou mesmo dias pesquisando sobre o tema – uma espécie de linha do tempo e vai jogando as ideias nela, só para que tenha uma estrutura geral. Uma vez que tenha isso em mãos, ele só precisa jogar o que há em sua mente e voilá! Eis aí o começo de sua história. E assim vai até o fim. Escrevendo, apagando, tirando e colocando, escrevendo de novo… Até o ponto em que ele sinta que a história cumpriu tudo o que queria. Todos os rituais, clichês etc. e tal. Dessa forma, surge, novinho em folhas, um romance histórico escrito por Reis. Fora os livros, ele também já produziu revistas, coleções em fascículos, artigos de jornais e cartilhas. Isso só no meio impresso!

— Eu vivo numa era tecnológica e procuro aproveitar ao máximo essas “armas”! – pondera Sérgio, enquanto explica os diferentes portais em que escreve. Atividades que se incluem na razão para ele não estar escrevendo ficção no momento. Há cinco anos, ele criou um blog e o intitulou como Memória Santista. O nome soava tão bem aos seus ouvidos que se tornou sua marca registrada. E, assim, acabou fazendo o mesmo com sua página de Facebook e seu novo canal no Youtube, que carrega vídeos vinculados aos artigos escritos no blog.

Além de todas essas funções, também atua como gestor público da Fundação Arquivo e Memória de Santos. O emprego de seus sonhos, uma vez que, ao se ver rodeado por todo tipo possível de material sobre Santos, tem por função preservar e difundir a história santista. Se me lembro corretamente, foi ele quem disse se divertir ao descobrir as coisas do passado.

— Estou como uma criança dentro de uma loja de doces! – é a comparação que Sérgio faz ao falar sobre o emprego na Fundação. Ele é uma daquelas poucas pessoas que vivem o que o filósofo Confúcio explicou uma vez: “Escolha um trabalho que você ame e você nunca terá que trabalhar um dia sequer na vida”. Só que, no caso do Sérgio, ele encontrou uma maneira própria de unir as duas grandes paixões de sua vida e de transformá-las em seu trabalho. Isso, por si só, é inspirador para qualquer um. Mas, para Reis, torna-se ainda mais.

É no meio de seus processos de pesquisas que desenvolve textos de caráter jornalístico ou histórico, em que surgem ideias para um próximo livro interessante. Esse é um ponto vital para os bons livros. A ideia tem de oferecer uma linha de raciocínio lógica e divertida, criando uma história que prenda o leitor com seu mistério e o seduza a ponto de nunca deixá-lo querer parar de ler.

Se a pessoa tiver o dom da escrita e uma mente fértil para criar histórias, ela mesmo saberá o momento de colocar tudo pra fora. Esse alguém seria quem Reis chama de pessoa com talento. Obviamente, mesmo uma pessoa talentosa precisa se esforçar, persistir e aprender. Mas, como ele disse, “talento não se forja, é nato”! E Reis ama escrever, é o que o move, o que o torna realmente feliz.

— É destino, paixão, devoção. Assim Sérgio define sua felicidade.

O real desejo que ele comprime no peito é poder contribuir na construção de histórias que se perpetuem na sociedade e, dessa forma, talvez, se unir aos grandes historiadores de Santos, como Frei Gaspar da Madre de Deus, Alberto Sousa, Costa e Silva Sobrinho, Francisco Martins dos Santos e Olao Rodrigues. Afinal, por mais que ele escreva ficção, baseia todo o seu romance num contexto histórico real, pesquisando com seriedade e compromisso com os fatos. Como ele bem se lembra das aulas no curso de Jornalismo, uma das primeiras coisas que aprendeu foi que não existe verdade, antes, somente pontos de vista diferentes sobre um mesmo ocorrido. Tudo o que faz é criar um novo prisma, como se fosse outra dimensão, para observar o desenrolar da história de forma que se torne mais atraente.

É… Reis guardou muita coisa do período na faculdade. Era um dos poucos em classe que se aprofundava nos estudos. Quando se formou e passou a conhecer o dia a dia do trabalho, atuando como jornalista, foi que realmente aprendeu como era a profissão. Foi dentro das salas de redação que Sérgio verdadeiramente compreendeu o que era a correria de um deadline, a busca por novas pautas, a linguagem ideal para cada tipo de matéria, a imagem perfeita que enquadre naquele exato espaço do jornal, lidar com as fontes… Uma loucura total!

A cada novo dia, ele descobria novas histórias, novos desafios e novas oportunidades para aprender. E é também isso que o atrai na literatura ficcional. Toda vez em que Reis ingressa em mais uma pesquisa, sua mente se expande para universos inexplorados e empolgantes, absorvendo conhecimentos múltiplos. Sempre aprendendo um pouco mais ao descobrir outros mistérios, outras pessoas e outros relatos.

No jornalismo literário, o compromisso com a apuração dos fatos é indispensável, independentemente de como a narrativa se sucederá. Para textos midiáticos, como revistas, jornais, blogs, entre outros, Sérgio se preocupa exatamente com esse fator, se utilizando do elemento ficcional apenas como licença poética para atrair o leitor à informação. Mas, nos livros? Bom, aí já é outra coisa.

Existe, sim, o contexto histórico como pano de fundo: época, espaços geográficos, personagens secundários, datas etc. A história, porém, é dinamizada, conduzida por uma narrativa fantasiosa, na qual não há limites para a criatividade. É dessa forma que ele pretende se tornar reconhecido e manter-se no ramo literário. Mesmo que o mercado editorial não esteja nada bom para os autores nacionais, principalmente escritores regionais. A formação de leitores no Brasil é muito pequena, comparada ao tamanho do país. Por isso é tão difícil viver da carreira literária por aqui.

Ainda que seja, no mínimo, complicado viver da literatura, existem alguns escritores brasileiros que conseguiram. Talvez seu ofício não se resuma somente à publicação de livros, mas, ao menos, o reconhecimento alcançaram. Sérgio guarda alguns desses na sua cabeceira, como Zélia Gattai, Francisco Martins dos Santos e Eduardo Bueno. Foram influenciadores nas obras que Reis já escreveu, mas, como acredita que a criatividade deve vir da alma de cada um, procura não se espelhar neles quando cria seus textos. Uma atividade que requer a maior parte de seu tempo, uma vez que escrever é sua ocupação integral, passando a maior parte do dia em frente ao computador, digitando novas histórias e fatos, enquanto, provavelmente, escuta algum pop clássico da década de 1980.

— Nunca escreva pensando o que os outros irão achar. Se você gostar do que fez, certamente outros gostarão. – é a regra que Reis criou para si.

Escrever é o que o torna em uma pessoa feliz. Escrever, pesquisar, descobrir fatos, é isso o que ele ama. E, se não fosse assim, provavelmente não teria tantos seguidores on-line. Se não acreditasse ser bom aquilo que escreve, não conseguiria mais de 2 mil visualizações em um texto histórico regional com apenas duas horas de publicação. Fazer o que se ama é a fórmula secreta. Basta ter coragem o suficiente para se agarrar a ela e começar. Como diz um velho provérbio chinês: “Para uma grande jornada, é preciso dar o primeiro passo”.

 

Paris – loucuras visuais

Fotografar Paris é uma tarefa extasiante e ao mesmo tempo ingrata. É mais ou menos como querer colecionar selos sem definir uma temática, ou seja, praticamente impossível, tamanha são as possibilidades visuais.

No entanto, a primeira impressão visual que tive de Paris não foi das melhores. O Aeroporto de Orly, por onde entrei, tinha aparência bastante castigada, isso para não ser muito pesado na crítica. Desde o setor de desembarque e bagagens até a saída, só vi corredores vazios e repletos de sinais de falta de manutenção. Já estive em vários aeroportos bem melhores no Brasil. Talvez a sensação tenha sido um contraponto ao que vi em Madrid, onde escalei antes de desembarcar na capital francesa. O Barajas (aeroporto internacional da capital espanhola) é coisa de outro mundo! Ao fazer a conexão, por exemplo, tive de passar pelo freeshop madrilenho. Coisa de tirar o fôlego e arrebatar a carteira de compradores compulsivos, o que, definitivamente, não é meu caso. Graças à ” Diós”!
Bom, depois de pegar minha bagagem no Orly, rumei para a saída, onde logo fui abordado pelos ansiosos taxistas de aeroporto, ávidos para oferecerem seus préstimos, “atacando” os desembarcados como uma matilha feroz de lobos. No entanto, como minha intensão, fruto de planejamento prévio, era tomar o transporte público, logo “tasquei” uma das poucas frases que decorei na língua local: je ne parle pa frances. O sujeito, então, nem tentou desenvolver nova tratativa. Feliz por ter me livrado do taxista, fui ao guichê de serviço do Orlyval, um trem elétrico que conduz os passageiros interessados em tomar o transporte público parisiense. Paguei € 11,65 pelo bilhete, que já incluía o valor do outro trem até Paris.
Sinceramente não achei nada barato o preço, considerando que comprei o Euro a R$ 3,30. Mas vi que tudo é caro na Cidade Luz! Um refrigerante em lata, por exemplo, normalmente custa € 2,50, o equivalente a quase R$ 8,00. Um lanchinho estilo McDonalds, com hambúrguer, fritas e refrigerante, sai, em média, € 10, ou seja, mais de R$ 33,00. Quase “falido” logo no primeiro dia na cidade, ao final da tarde acabei apelando para um mercado, onde paguei € 1,00 pelo refrigerante.
Voltando à questão do transporte, reitero que achei muito bacana. Eles oferecem linhas de trens, que chamam de RER, e de Metrô, divididas por números e cores. Há pra todos os lados da cidade. O bilhete custa € 1,65, e você pode usar o mesmo por algum tempo. Importante dizer que não se deve jogá-lo fora porque, para sair da estação, você precisará dele. Eu tinha lido sobre isso e, assim, não passei apuro. E é fácil comprá-los. Além dos guichês, existem máquinas automáticas, que aceitam até cartão de crédito ou débito. Eu comprei meus bilhetes com meu cartão pre-carregado. Foi fácil, fácil.
É engraçado como a gente se prepara para algumas situações. Uma delas dizia respeito à hospitalidade dos parisienses. Não sei se é pelo meu jeito despojado, mas não senti a tal “frieza” que tanto me alertaram. Por outro lado, constatei que uma até então lenda para mim, se confirmou. Por várias vezes senti um odor desagradável exalado por alguns locais. Acho que tem muita gente aqui que não curte tomar um banho, pelo menos de vez em quanto.
Percebi que Paris é uma cidade múltipla no quesito diversidade populacional. Na região onde fiquei hospedado, perto da Gare Du Nord, havia muitos africanos, provavelmente oriundos de países que foram colônias francesas, como Guiné e Costa do Marfim. Da mesma forma me deparei com árabes e chineses, o que me ajudou na questão gastronômica. Definitivamente, não fiquei muito à vontade com a culinária francesa. Assim, não titubeei em apelar para um kebab ou um frango xadrez.
Falando em estrangeiros de países que normalmente vivem em conflito, uma coisa me chamou a atenção em Paris. A presença de muitos soldados franceses, fortemente armados, pelas ruas da cidade. Certamente é uma ação de contingência para inibir possíveis atentados, como o que aconteceu na redação do jornal Charles Hebdo, faz pouco tempo.
Falando do hotel. O lugar onde me hospedei, o Paris Liege, cumpriu sua finalidade. Afinal, eu só precisava de uma cama onde dormir e um chuveiro com água quente, para tomar um bom banho. Aliás, falando de água quente, não sei se foi só impressão, mas acho que os parisienses são “chegados” a uma água quente na torneira. Nos banheiros públicos em que fui e no hotel, abria a torneira e lá estava a água quente, quase fervendo. Não gostei muito de escovar o dente com a água naquela temperatura. Mas, voalá!
Como ia ficar só um dia em Paris, e ele estava lindo, ensolarado, resolvi fazer vários passeios, apesar de morto de cansaço por conta da viagem de mais de 10 horas, desde São Paulo. Meu único compromisso agendado era visitar o mais importante cartão postal da cidade, a Torre Eiffel. Mas, antes fui até a outra estrela turística parisiense, o Arco do Triunfo e a Champs Eliseé. Por causa do tempo, tirei muitas fotos bacanas. Mas queria ter feito uma especial, com minha lente Fisheye, o que não deu, porque teria de pagar para chegar mais perto.
Finalizada minha missão no Arco do Triunfo, resolvi andar a pé até o lugar onde ficava a Torre Eiffel, pela Avenide Iená. É bastante tranquilo andar em Paris. Quase toda cidade é plana, bem diferente de São Paulo. Havia muitas embaixadas naquele caminho. Pena que não vi a do Brasil. Uma em especial, me chamou a atenção, a do Irã. Muito bonita, tinha duas estátuas interessantes, a ponto de eu querer sacar minha câmera para disparar. Foi aí que aconteceu um negócio engraçado, mas só por agora, que passou sem conseqüências. Eu enfiei minha câmera pelas grades da embaixada iraniana e meti o dedo no gatilho da máquina. Logo depois surgiu um sujeito esquisito, que me olhou mais esquisito ainda. Mas ele não disse nada. Deve ter percebido, pela minha cara de mané, que só era um turista interessado na história das estátuas. Só para constar que no muro da edificação havia duas placas contando a histórias dos personagens retratados. Já pensou se o sujeito resolve me encarar como um espião?
Depois de alguns cliques no caminho, finalmente veio a bela visão da Torre Eiffel. É uma sensação muito legal. Olhar de perto algo que você viu milhares de vezes em vídeo, livros e no cinema. Fiz a festa com a câmera! Tirei fotos de vários ângulos e abusei da lente Olho de Peixe, a Fisheye. O lugar estava repleto de turistas. Deve ser assim nos 365 dias do ano.
Após fazer a festa no entorno da torre, peguei meu ingresso, comprado antecipadamente pela internet (GetYourGuide), e subi até o segundo nível, onde estão as lunetas de observação. Realmente, como consta em todos os guias que li, a vista é de tirar o fôlego. Lá em cima, lembrei-me de um velho videoclipe do Duran Duran, “A View to a Kill”, filmado justamente naquele local. Tirei mais outras tantas fotos, conheci o trabalho de Gustave Eiffel, o engenheiro que projetou a estrutura e parti para a próxima atração, a Catedral de Notre Dame.
Olha que já vi muitas igrejas bonitas, mas Notre Dame é algo impressionante, ainda mais por se tratar de uma construção medieval. Fiquei fascinado pelas colunas e vitrais.
Cansado pelas andanças do dia, voltei para o hotel e desmaiei. Eram mais ou menos 19 horas e sol ainda estava firme no céu. Acordei perto de 21 horas e fiquei impressionado por ver que ainda havia claridade. Os dias aqui são mais longos na primavera e devem ser ainda mais no verão. Verde de fome, resolvi não gaste muito e fui a uma espécie de mini mercado local, onde comprei água, salgados, banana é uma latinha de GINI. Nossa, há anos que não tomava uma Gini.
Ao final, resolvi comprar um kebab (comida árabe) de frango com queijo e fritas. Gastei 7 euros. Valeu a pena! Parecia aqueles lanches dos quiosques (os caprichados).
Voltei ao hotel, tomei um belo banho e dormi, para encarar a viagem no Eurostar, rumo a Londres.